Saúde

Dança é adaptada para ajudar na recuperação de problemas neurológicos

25/04/2017


Atividade contribui no tratamento de pacientes com limitações cognitivas

            “A dança é a linguagem escondida da alma”, esta é a definição de Martha Graham, bailarina e coreógrafa americana, responsável por transformar, revitalizar e difundir a dança moderna ao redor do mundo. A atividade está presente nos momentos de celebrações e festividades mundiais, ela faz parte do cotidiano e da cultura do ser humano, representando e difundindo a tradição e a história da população.

 

Foto: Martha Graham, bailarina e coreógrafa (rcdgala.preclickbid.com)

 

            A influência dessa arte é tanta que tem sido utilizada como coadjuvante no tratamento de pacientes com diversos problemas de saúde, como doenças neurológicas e dificuldades motoras. “Ela entra como suporte e reforço aos atendimentos clínicos. Por meio dela é possível trabalhar a reabilitação cognitiva, corporal e também comportamental, porque a dança se utiliza de técnicas onde o indivíduo precisa ter foco e saber esperar”, explica Silvia Rodrigues, neuropsicóloga educacional, fisioterapeuta neuropediátrica, com formação em Dança e que atua no Centro de Excelência em Recuperação Neurológica (CERNE).

          “A dança adaptada é 100% terapêutica, é chamada desta forma porque é adaptada a uma situação, de acordo com a necessidade do paciente, não é nada físico, é comportamental”, frisa Sílvia. Ela explica que antes de iniciar a atividade o paciente passa por uma avaliação clínica e a partir dela é definida a frequência da prática, que varia de acordo com o quadro clínico, podendo ser executada de uma a duas vezes por semana, durante uma hora/aula. “Há comprovação científica que a dança, além de atuar na parte física, trabalha os aspectos mental e social de qualquer indivíduo, não só daqueles que têm algum tipo de acometimento”, destaca a especialista.

           A técnica auxilia na terapia de pessoas portadoras de Transtorno do Espectro Autista (TEA), onde são trabalhados os pontos necessários para o desenvolvimento da parte motora, e também para pacientes com problemas neurológicos, como AVC, Parkinson, esclerose múltipla, paralisia cerebral, entre outros.   

           A dança adaptada trabalha movimento, cognição e comportamento associados a uma atividade prazerosa, o que torna o resultado mais rápido, já que acelera a habilitação de algumas estruturas que estão adormecidas. “Quando o indivíduo faz uma atividade adaptada, como é o caso da dança, ele não sente que está realizando algum tipo de reabilitação, pelo contrário, sente prazer em fazer e repetir a terapia. Esse é o grande segredo desta ferramenta”, destaca Silvia. A especialista ressalta também que existe um envolvimento do paciente na definição do ritmo e da música. “Eles contam suas preferências e a partir daí selecionamos o que os agradam ouvir e dançar. Hip hop e rock moderno estão entre os mais pedidos”, complementa.

SERVIÇO:
CERNE - Centro de Excelência em Recuperação Neurológica

Cristina Sório - Smartcom - cristina.sorio@smartcom.net.br
 


Conteúdo por

Michele Barbosa


Jornalista e blogueira que ama o que faz. Sempre atrás de curiosidades, gosta de conhecer lugares diferentes e é antenada em tudo o que acontece em Sampa. Espontaneidade e improviso formam sua marca registrada.

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