Carreira

Quebrando barreiras

26/09/2016


Piloto de Fórmula Truck, Débora Rodrigues, fala sobre sua trajetória

Quem disse que Amélia é que era mulher de verdade? Esse princípio ficou para trás desde que, nos anos 1970, filhas e esposas das famílias trocaram fogão por “trabalhar fora”. A dona de casa tradicional, aquela que cuida do marido e filhos em tempo integral, está quase em extinção. E elas querem muito mais do que carteira assinada, ou seja, almejam alçar voos maiores na carreira. Mas não tem sido uma “tarefa” fácil.
Apesar de ser notório que a mulher tem a mesma capacidade do homem para exercer diversas tarefas, o preconceito ainda predomina, pois até muitas delas têm concepção de que certos atributos fazem parte apenas do universo masculino. São barreiras e paradigmas constantes que precisam ser quebrados e que, apesar das conquistas, a luta feminina para ter espaço e reconhecimento no mercado de trabalho é constante.

 

Cor de rosa no pódio

 

Foto: arquivo pessoal

 

Mãe de três filhos - Jaqueline, de 30 anos, João Paulo, de 28, e Renato, de 8 - e casada há 18 anos com o empresário Renato Martins, Débora Rodrigues já foi babá, frentista, recepcionista, secretária, motorista de ônibus de boias-frias, começou a dirigir aos 12 anos e hoje é piloto de Fórmula Truck. “Eu sinceramente suspeito que tenha diesel misturado no meu sangue. Sou filha de caminhoneiro e passei parte da minha infância e pré-adolescência na boleia de um caminhão. Por pouco não nasci dentro de uma”, diz.

 

Foto: arquivo pessoal

 

O primeiro contato que Débora teve com a mídia foi espontâneo, por destacar-se no Movimento Sem Terra, ao qual apoiava, e receber o título de musa. Em seguida, recebeu um convite para fazer uma matéria sobre a Fórmula Truck, em 1998, e se encantou com a categoria, sendo a primeira mulher da história a subir no pódio dessa modalidade. Depois dessa reviravolta, a paranaense ficou conhecida e os convites para trabalhos como modelo e apresentadora foram aumentando, quando chegou a ser uma das apresentadoras da primeira fase do programa Fantasia, no SBT, e, em 2012, participou da primeira temporada do reality “Mulheres Ricas” (Band).

 

Foto: arquivo SBT. Débora enquanto apresentadora do programa Fantasia

 

Foto: divulgação. Débora no porgrama Mulheres Ricas - Band

 

Ultrapassando o machismo

Seria mentira dizer que não existe preconceito, mas Débora conquistou seu espaço e entrou na justiça para conseguir representar o sexo feminino na Truck. Ganhou a causa e o respeito de seus colegas de profissão que, segundo ela, a tratam muito bem. “Infelizmente é um esporte machista, em que poucas mulheres conseguem um grande espaço. Mas é inevitável aquela brincadeira básica, quando ultrapasso os marmanjos. Competia com meu marido e cheguei a ultrapassá-lo em algumas provas. Imagina o que ele não escutava dos amigos”, conta a piloto do caminhão cor de rosa.
Débora acredita que a audácia é seu diferencial, não tem receio de competir com homens e por conseguir se dedicar a muitas áreas de sua vida.
Que a história de Débora seja um incentivo extra para que muitas outras mulheres possam enfrentar preconceitos e conquistem a igualdade tão merecida.

 


Conteúdo por

Michele Barbosa


Jornalista e blogueira que ama o que faz. Sempre atrás de curiosidades, gosta de conhecer lugares diferentes e é antenada em tudo o que acontece em Sampa. Espontaneidade e improviso formam sua marca registrada.

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